27 fevereiro 2006

26 fevereiro 2006

Vermelho e verde sobre tons pastéis.

De um lado um mundo lúdico, com cores fortes e marcantes. Um sonho que mostra a realidade introspectiva que um dia eu também já vivi... ou talvez eu ainda viva. Um sonho real, uma realidade onírica.

Um passeio pelas ruas de Paris e o encontro com um anão de jardim segurando fotos recortadas tiradas em uma singela máquina na estação de trem da cidade... um olhar segurando um copo d'água e uma doce vingança... quem sabe uma ida ao sexy shopping mais próximo?! Talvez, poderia ir até lá com meu all star vermelho, dirigindo minha lambreta e parar na primeira cabine telefonica que encontrasse para, apenas, procurar um número qualquer e discar sem compromisso.
Jogar pedrinhas num lago para acalmar a tensão e quem sabe nunca chegar ao fim da vida... ou até mesmo ao fim do filme. Trocar olhares e singelas feições com uma câmera curiosa e não dizer nada, apenas deixar entendido em meus gestos.


Amelie Poulain não é apenas um excelente filme, é vida real com o melhor da ficção, o poder de tornar a vida mais simples numa tela de cinema... ou não!

Poderia também trocar as ruas de Paris por um lugar no Jack's ou uma festa na casa do Dennis, quem sabe não seria uma pedida melhor?! Dançar um pouco, extravasar o que me sufoca(seja lá o que for isso...), ver alguns amigos furando os olhos uns dos outros, dar apoio a relacionamentos fracassados, tentar começar um, ou apenas ser sincero e dizer: Ok, a casa é minha e a festa acabou! Boa noite e cuidado com o vaso japonês que fica do lado direito da porta de entrada, não esbarrem nele, tem valor sentimental.

Seria um tanto simples não se importar com ninguém... se isso fosse realmente verdade e se um dia você não precisasse passar pela mesma situação em que você deixou tantos outros. Ou talvez não fosse tão simples deixar alguém te conquistar, se entregar a alguém. E se ser bonito e atraente não fosse privilégio para todos, inclusive pra você, como seria?! Continuaria sendo simples?! Até que sim... mas e se você se importasse com isso?! Se essa tal de estima não existe mais pra você, continuaria sendo tão simples?!
Vou tentar mais um exemplo...
E se você precisasse usar drogas para 'seguir' alguém?! E se fazer isso fosse sua prova de amor para esse alguém?! Será que seria simples fazer isso?!
E o clássico... se você descobrisse o real significado de amar alguém quando esse alguém já cansou de te amar?! Se você descobrisse que dar carinho nem é tão dificil assim, e que se você descobrisse isso antes tudo poderia ser diferente?!
Será que tudo isso é simples?!


Talvez aparentemente. Talvez "O Clube Dos Corações Partidos" seja mais um filme gay sem conteúdo, apenas mais uma 'comédia' descabida sem grandes lições, mas a grande lição desse filme é falar das pessoas. Do que somos, do que fomos e, por que não, do que, talvez, seremos. São coisas simples... talvez não tão simples, mas cotidianas. Situações reais, pessoas com dramas reais.

Um filme simples com situações aparentemente simples e psicologicamente complicadas... ao menos pra mim.




E assim termina meu primeiro dia de carnaval... quatro horas da manhã e eu na frente de um computador sem ter mais o que fazer...
Um dia, dois filmes, duas pessoas, uma mãe, um pai, mil pensamentos e um desejo: ficar sozinho!
Amanhã é outro dia...

Será que amanhã serei uma companhia melhor?!

E o caos continua.

"I think I'll get out of here
Where I can run just as fast as I can
To the middle of nowhere
To the middle of my frustrated fears..."
[Just Like A Pill - P!nk]

24 fevereiro 2006

Quando vai acabar?


Estou ouvindo "I'm The Only One" da Melissa Etheridge... o engraçado é que a música já começa dizendo:"Please baby can't you see. My mind's a burnin' hell."
E é exatamente assim que eu estava pensando (ou estou) agora a pouco.
Você saiu aqui de casa e eu não fui capaz nem de te levar ao ponto de ônibus...
Por que isso tinha que acontecer?
O que há comigo? Por que o medo de responder a essa pergunta?
...
Eu só preciso ficar sozinho... eu só preciso que todos fiquem longe por um momento para que eu ponha minha cabeça no lugar e volte a ficar centrado. Mas o que me fez perder a sintonia que eu estava comigo mesmo? Foi tudo tão de repente, fui assaltado tão abruptamente que por um segundo perdi o chão, fiquei sem ar. Seus carinhos tentavam me consolar, me acolhiam, mas eu não estava em mim, eu não conseguia corresponder, eu precisava estar só...

POXA!
Eu quero você de volta, eu me quero de volta... por que te 'expulsei'?

Eu sinto medo!
Medo de ficar sozinho, medo de não corresponder ao que recebo dos outros, medo de 'não tá afim' algumas vezes, medo de sei lá o que...

Será que isso vai passar se eu dormir?
Será que uma sessão de Dawson's Creek me deixará melhor ou pior?

Eu serei feliz um dia?
Eu sou feliz, mas será que serei feliz a ponto de não precisar de mais nada? De não ter conflitos como esse?
NÃO! Eu não quero e não preciso ir a um psicólogo, se quando precisava eu não fui não é agora que eu teria de ir.

...

Já não consigo empregar as palavras certas no lugares adequados, não consigo mais falar bonito, tenho minhas suspeitas de que nunca consegui, de que tudo não passou de uma viagem onírica por um mundo utópico, uma história infantil sem final feliz...

Não que eu ache isso, mas dentro de minha cabeça há alguém gritando que eu não te mereço... eu não quero acreditar nisso, por favor, não me deixe acreditar nisso...






Ei, alguém esqueceu pensamentos e paranoias na minha cabeça, por favor, peguem de volta, esses pensamentos não me pertencem e não os quero por 'caridade' alheia.
Prazo? Quero abrir os olhos e me ver novamente no espelho, o mesmo rosto, sem nenhuma sombra por trás dos olhos.



Começo com Melissa Etheridge e termino com a mesma... "This Is Not Goodbye"... seria coincidencia essas duas músicas dela citadas aqui?! Momentos estratégicos?!
...

So-Called Chaos... o próprio!

18 fevereiro 2006

Garden State

Porque as vezes sinto necessidades de coisas simples, e nem sempre queria estar sozinho...
Coisas simples?
É, quem sabe se você não poderia gritar em cima de um caminhão comigo apenas para liberar a tensão?!

Coisas simples, palpáveis... simples, apenas simples.

14 fevereiro 2006

Sonhos lúcidos

Sem Mandamentos - Oswaldo Montenegro

Hoje eu quero a rua cheia de sorrisos francos
de rostos serenos, de palavras soltas
eu quero a rua toda parecendo louca
com gente gritando e se abraçando ao sol
Hoje eu quero ver a bola da criança livre
quero ver os sonhos todos nas janelas
quero ver vocês andando por aí
Hoje eu vou pedir desculpas pelo que eu não disse
eu até desculpo o que você falou

eu quero ver meu coração no seu sorriso
e no olho da tarde a primeira luz
Hoje eu quero que os boêmios gritem bem mais alto
eu quero um carnaval no engarrafamento
e que dez mil estrelas vão riscando o céu
buscando a sua casa no amanhecer
Hoje eu vou fazer barulho pela madrugada
rasgar a noite escura como um lampião
eu vou fazer seresta na sua calçada
eu vou fazer misérias no seu coração
Hoje eu quero que os poetas dancem pela rua
pra escrever a música sem pretensão
eu quero que as buzinas toquem flauta-doce
e que triunfe a força da imaginação.