29 março 2006

O que vem depois do "agora"?

Sabe quando te dão aquele remédio anti-depressivo?
Você fica um tanto inerte e completamente abalado, não mais do que já estava, talvez não mais do que esteja... não sei, apenas talvez.

Você chora e tudo parece voltar ao normal. Então você abre os olhos em frente a água corrente de uma pia de mármore e observa que tudo ainda está alí, visível a poucos, mas gritante para você.
Nada sumiu, muito se escondeu... quase todos se omitiram.
Por que seus medos não sumiram?
Por que não, ao menos, se esconderam?
Por que eles insistem em se omitir?

Björk me parece, cada vez mais, coerente... coerente em suas incoerências... onírica?
Um pouco abstrata, talvez, mas não a ponto de me fazer sonhar com o que não consigo realizar e/ou idealizar num fundo branco.

...

Aos poucos você se encontra dando "adeus" a tudo, mas não a todos.
Não teve tempo para isso, não quis ter esse tempo... talvez precisasse desse tempo, talvez passe esse tempo longe, talvez, um dia, não precise mais desse tempo... talvez ele não volte... talvez, na manhã seguinte, ele já esteja aqui novamente.

...

O que o faz tremer?
O que vem do passado "cutucar" seu colchão a noite? Ou seria de dia?
Não consigo destinguir o tempo que passo acordado na frente do computador, tantas vezes me sinto como estivesse dormindo... como se estivese sonhando... como se estivesse(sorrindo?)...

...

E é tudo que ele precisa... é tudo que ele almeja, e é tudo o que ele vai precisar para se apoiar no muro e pensar: O que é pra agora, o depois não vai me roubar. Pois o antes dormiu e ainda está sonhando, o agora pretende realizar e o depois deixa dúvidas demais.

[Ouvindo Jòga - Björk]


27 março 2006

"Pagan Poetry"


"I love him... This time i'm gonna keep it to myself... This time i'm gonna keep me all to myself."

Apenas desta vez eu deixarei que tudo que me assombra vire pó.
Deixarei que os medos que tenho e que sempre tive, sejam menos significantes possíveis.
O que aparecer na minha frente será nada menos do que eu quero que seja, será o que desejo e o que imagino ser.
Deixarei de ter sonhos e apenas sonhos... passarei a sonhar com os olhos no chão, para saber que eles nunca deixaram de ser realidade no meu mundo e que, em breve, serão realidades bem mais próximas desse plano.

Assistirei filmes que nunca pensei assistir..

verei novelas que nunca pensei ver... mas não na televisão, não na monotonia global, não no drama mexicano... verei novelas nas páginas de um livro bom e velho, verei novelas nas esquinas e portas das ruas, verei nos olhos... e sem a poesia clássica de uma pintura concreta, eu verei o ácido raro de uma poesia abstrata e, por muitas vezes, esculpida e encarnada... sem trocadilhos populares.

Serei um grego clássico e um italiano descarado.
Serei agressivo e prendado, mas serei elegante como os franceses.
Serei prático como os americanos e criativo como os japoneses... mas serei único e cultural como os brasileiros... sem nacionalismo exacerbado, serei criticado como os políticos e justo como os democráticos.
Serei opositor e gritarei pela defesa.
Mas serei defensor e acusarei.
Serei promotor dos sem causas... serei promotor de mim mesmo, me acusarei em pró de um desenvolvimento mental... quando eu conseguir defender a mim mesmo estarei pronto para dizer que em cima de mim ninguém pisa, pois se amassar terá de pagar o conserto.

Serei apenas eu!

Apenas mais um escondido e declarado.
Apenas mais um encolhido e descarado.
Apenas mais um excluído e difamado.

Quando eu não for mais nada, estarei satisfeito!
Esqueceram minha vida, agora deixem-me ser eu mesmo.

[ Ouvindo Pagan Poetry - Björk ]

23 março 2006

Sombra

Onde anda aquela sombra que encontrava em cada esquina morna?
Morreu de ódio ou de tédio?
Não resistiu a uma vida pacata e desinteressante...

Parei de correr atrás, vou ser alguém em outro lugar...

Talvez um alguém igual em diferentes lugares, ou até mesmo pessoas diferentes num mesmo lugar, dentro de uma mesma circunstância ou de um mesmo balão de gás.
Algo um tanto gótico ou, exageradamente, psicodélico.
...
Engraçado... num ambiente monocromático, a sombra brilhava num tom alaranjado que mais me parecia apático, visto de longe; mas que, de perto, ofuscava o equilíbrio desastrado de meus pés.

[ Toca o piano de Jobim. ]

Desafinado não é música, é ruído de voz de pinguins africanos... é quase utópico!

[ Relembra Tori Amos: ]

"...can't forget the things you never said..."
... e eu acabo de esquecer o que prometi lembrar na noite passada.
Acabo de esquecer que fiquei de rezar por você... mas olha, esqueci em que parte devo dizer "amém".
Era antes ou depois de afirmar crer no Espírito Santo?
Preciso saber, pois eu juro que cheguei nessa parte...
...
Não sei... crendices estão fora de moda, banalizar o amor me parece mais concreto... o que diria aquela sombra?
Cantaria "Tristeza não tem fim. Felicidade sim."?

Acho que ela apenas olharia para mim e sorriria um riso de canto de boca...
viraria a esquina e olharia pela última vez dizendo com os olhos: "Sometimes you're nothing but meat..."

21 março 2006

Peripécias Desimportantes - Nokia 3310

Funcionário de uma rede conhecida de farmácias sai do trabalho as oito e quinze da noite de uma segunda-feira.
Atravessa a rua tranquilamente e, olhando para os lados, chega ao ponto de ônibus.
Após mais ou menos dez minutos de espera, seu transporte abre suas portas e ele sobe.
Passa pela borboleta, caminha até o fim do corredor e senta-se ao lado de uma senhora, mais ou menos 53 anos de idade, que dormia estranhamente como se estivesse sorrindo.
O funcionário da tal farmácia começa a observar os passageiros e nada de anormal acontece.
Poucos segundos depois, observa uma família dividida em dois bancos, mãe(45 anos aparentemente) com filha pequena(dois anos, talvez) dormindo no braço num acento do mesmo lado que o dele, e dois irmãos, um menino(entre oito e nove anos) e uma menina(seis, talvez sete), filhos da mesma mulher, nos acentos do lado oposto.
Os dois irmão brigavam para jogar snake num celular nokia 3310 com capinha desbotada do mickey.
O menino era esperto e egoísta, perdia mas não passava o aparelho de comunicação móvel para a irmã.

[menina]
- Mãe, olha pro Artur!! (voz chorosa)
[mãe]
- Deixa a sua irmã jogar, menino! (voz exageradamente firme)
[menino]
- Calma, é só mais essa, to já perdendo.
[menina]
- Mentira mainha! Ele já perdeu!!
[menino]
- Perdi nada!
[menina]
- Perdeu sim! Eu vi a cobrinha comendo o rabo!
[menino]
- Viu nada.
[mãe]
- Eu vou tomar esse celular, cês tão me ouvindo?
[menina]
- Ô mainha, mande ele me dá, váááá!
[mãe]
- Artur, dê pra sua irmã essa merda logo, vá menino! Num me tire a paciência não.
[menino]
- Pronto! Morri, tá vendo?! Olha aí, você quer jogar o quê? Diga que boto pra você.
[menina]
- Quero a navezinha...
[menino]
- Sabe como joga? É assim ó... (começa a jogar)
[menina]
(cai no choro e chama pela mãe)
[mãe]
- Ô menino, cê qué apanhá é?! Num me faça levantar daqui pra dá em você, não. Olhe que eu jogo meu chinelo daqui...
[menino]
- Oxe, mas eu só tava ensinando ela...(choroso)
[menina]
(continua chorando, agora um pouco mais alto)
[mãe]
- Chore não minha filha, chegar em casa eu dou pra você jogar. Agora me dê essa merda logo, vá Artur. Antes que eu faça você engolir esta porcaria.
[menina]
(agora sem chorar, apenas enxugando o rosto)
[menino]
(de braços cruzados demonstrando raiva)

- silêncio por um instante -

Chega o ponto do funcionário, ao levantar e puxar a cordinha o silêncio é rompido e, antes que de descer, ainda escuta:

[mãe]
- Tá vendo? Acordaram sua irmã!! (furiosa)


Ele desce e sai pensando o porquê do menino não ter adimitido antes que a cobrinha já havia comido o rabo...


[ Eu Sou o Tao - Rádio de Outono ]

17 março 2006

Got to stop spinning...


"Tenho uma nuvem dormindo sobre minha língua..."

[ Cloud On My Tongue - Tori Amos ]



ÓCIO + CANETA + PAPEL = RABISCO INFANTIL NUMA FOLHA INCOERENTE.
obs.: sim, eu sou o responsável pelo tal desenho infantil. (risos de canto de boca e sem vontade)

16 março 2006

"How many corners do I have to turn?"

Pequenas coisas me consomem... quando chegará minha vez de consumi-las?
Espero por algo grandioso, algo diferente... resta-me saber se "isso" também me espera.
Sinto falta de estranhos detalhes... detalhes esses que nunca tive, que nem sequer, ainda, vivi.

Preciso de uma nota de controle, algo mais forte para estabilizar meus pensamentos, torná-los menos intransigentes, algo tarjado e, de preferência, na cor preta.

Pequenas coisas me consomem, cidades com pouco mais de 700 mil habitantes me consomem, é pequena demais para mim... preciso andar na rua e não ver pessoas conhecidas ou rostos familiares a cada esquina que cruzo, preciso disso por um certo tempo.
Ser anti-social, por muitas vezes, foi o meu forte, poderia voltar a ser nos próximos seis meses... não me importaria, um ano seria pedir demais e jamais me deixariam "ficar na minha" por todo esse tempo.

Dias nunca foram os meu preferidos, sempre me dei melhor com as noites... e os últimos dias só tem me provado isso. Eles passam sem se preocupar com quem está amarrado a eles, passam e não dão satisfações a quem apenas pedia uma carona.

O engraçado é meus dias estão beirando o patético, vou do céu ao inferno em segundos e da maneira mais clichê possível, como essa frase que acabei de usar.
Os dias se diversificam muito e para todos, mas para mim parecem sempre iguais.
Uma noite no cinema costumava ser mais divertida... um bom filme, boas companhias(tá, as boas companhias poderiam se resumir a um número mais reduzido do que nove, mas tudo bem) e uma inquietação, uma ansiedade estranha e uma caixinha de tic tac compulsiva que lembram cápsulas de relaxante emocional... no fim da noite não funcionou muito bem e só me deixou enjoado, mas ninguém pode me acusar de não ter tentado.

Mean Creek é realmente muito bom, não fossem as verdades jogadas na cara de quem não precisava ouvir dezenas de palavras desnecessárias e pontiagudas.

"- Está um belo dia hoje!
- É... ao menos está um belo dia..."



[ Sonnet - The Verve ]

13 março 2006

"A moralidade me olha com desagrado..."

"O que dizer se toda alegria foi pouca pra dissolver a monotonia?"


Coisas simples e claras embrulhadas num papel brilhoso de cores fortes e psicodélicas.


Não tente ler o que você não enxerga, eu não sou tão simples assim.


O que você vê ao olhar minhas roupas?
Sim, pois isso é a única coisa que consigo mostrar sem abrir a boca e a cem metros de distância...
O que você vê quando não me vê?
Enxerga homens altos e fortes em uma sodomia loucamente escancarada na porta de sua casa?
Exerga-me no meio?
Em que parte me incluo? Nos altos ou nos fortes? Ou na parte "loucamente escancarada"?
Pernas abertas, um binóculo e duas boas escoras... uma para seus braços e outras para as minhas perna.

Viu o suficiente?
Agora pode rezar por mim e me comparar aos maníacos, estupradores, ladrões e assassinos que o seu Deus condena. Pode dizer que sou doente ou digno de pena, deixe-me viver a libertinagem que me pertence de acordo com suas leis que não passam de meros argumentos verbais bastante pifios.

Acredito que sou diferente, penso até que sou melhor, mesmo, muitas vezes, vocês me fazendo sentir uma puta... muitas vezes me fazendo olhar o erro que não cometi... mesmo me fazendo sentir...

Eu sabia, já havia notado ultimamente, que o amor estava saindo de moda, só não sabia que de moda ele estava se tornando pecado. Juro, pra mim isso foi uma surpresa!
Talvez Lulu Santos seja realmente o último romântico, talvez ninguém mais veja o Amarante numa fila de pão pensando num possível amor... Talvez eu deva ajoelhar no milho e cantar "Hosana nas alturas", seja lá o que isso for...

Já que fui comparado a um animal por não conseguir ser racional em relação ao que sinto, e por não procurar a Igreja Universal do Reino de Deus mais próxima para encontrar a salvação, eu creio que não serei perdoado e não poderei mais entrar no reino dos céus.

Então continuarei amando a quem me faz bem e acreditando que fazendo isso eu serei uma pessoa feliz, seja com ou sem a aprovação de coadjuvantes religiosos e retrógrados.
Continuarei desejando pessoas do mesmo sexo se isso me for confortável.
Desejarei pessoas do sexo oposto se assim tiver de ser.
Continuarei achando bizarro e criminoso sentir prazer com animais e crianças... talvez pedofilia e zoofilia sejam mais aceitáveis nos dias atuais do que um beijo entre homens ou mulheres...

E assim continuarei, me indignando e me ofendendo. Amando e odiando o que eu estabelecer como certo ou errado para mim.



"This is love... God will forgive me..."


ps: frase do titulo -> Walking In My Shoes - Depeche Mode
Primeira frase do post -> Melancolia - Ludov

Ultima frase do post -> I Remember - Damien Rice

11 março 2006

Quis gritar quando você dormiu...


Venha me ver
cante para mim até que eu durma...
Nada incomum, nada estranho
perto de nada
o mesmo velho cenário, a mesma velha chuva...
Ainda é um pouco difícil dizer o que está acontecendo...
... ainda há um pouco da sua canção em meu ouvido.

Tudo que tenho é sua mão... você pode me ouvir agora?
...
Eu devia ter beijado você quando estávamos correndo
sou timido demais, devia ter beijado você quando estávamos sozinhos...

É que simplesmente é delicado...
Por que você não canta comigo então?
...
E então é isso
exatamente como você disse que seria
na maior parte do tempo
não consigo parar de pensar em você...




ps: O texto não possui uma única palavra minha. O mesmo foi feito com pedaços das letras musicais do Damien Rice. Os mais fãs saberão de cara, e o menos desconfiarão em alguns trechos. Só um entenderá o sentido.


"I remember it well the first time that i saw..."





08 março 2006

Segredos de Liquidificador


Vou te contar um segredo:
minhas pernas tremem de forma engraçada quando estou ansioso...
... perdi o prólogo do livro que encenarei?
A cabeça não está completamente no lugar como costumava ser na década de 30... 2030.
Olha que engraçado, aquele 'tchau' não foi pra mim e, desesperadamente, eu esperava que fosse.
Terei de esperar mais alguns dias... "Cada coisa em seu lugar" como diria o clichê conformista.

Vou te contar um segredo:
hoje acordei de olhos fechados, andei pela casa, tomei banho, joguei algo na boca e enfrentei uma lotação de olhos fechados... quando decidi abrir descobri que havia voltado a dormir e perderia a próxima parada.
Eu estava suando, meu corpo não escondia-se do sol e o mesmo insistia em me procurar.
Cansei e virei pro lado.

Vou te contar um segredo:
às vezes brinco de despistar-me com uma canção.
Nada que mereça muita atenção, apenas olhe pra mim e sorria!
Eu precisava desse momento de descontração...

Vou te contar um segredo:
tudo está estupidamente implicito! A raiva está contida, mas não há motivo para a mesma.
As pessoas estão intoleráveis ou eu estou ficando intolerante?!
(...)
Faça-me qualquer pergunta, mas diga-me algo que, talvez, nem precise ouvir.
Sacuda-me e diga que o dia já vai passar e que em breve o que restará é uma calçada e duas respirações ofegantes.
Chega de tentar explicar a ansiedade, chega de tentar explicar o sentimento, chega de tentar explicar o que não se diz, chega de tentar explicar o que não se pode dizer, chega de tentar explicar o que não precisa ser dito, chega de tentar... a partir de agora eu apenas farei, as palavras não são tão manipuláveis quanto pensávamos.

Vou te contar um segredo,
algo que muitos sabem mas que poucos consideram,
algo meu, algo de mim, algo de fora...
Conto o que quiser saber desde que seja mais que palavras escritas.
Conto como fui parar... conto como cheguei... conto como irei... e se irei.
Apenas conto...
Apenas pergunte!



Talvez meus segredos não sejam tão secretos quanto parecem ser em palavras "dupla-face"...

Just a paper bag...

“De dias frios se faz a tristeza do mundo e aqui, de meus olhos, posso ver o mar...”

Tic Tac
Tic Tac...

Tic...
... Tac... tac... tic... tac...

E assim terça-feira vai passando, parecendo ser mais longa do que realmente é.
O mês de março não parece fazer questão de ser diferente, vai se arrastando como quem não quer nada e gostaria de poder dizer no fim do mês que isso não foi verdade, que ele passou rápido como que para me satisfazer... ilusão de quem acha que merece essa atenção especial do nunca visto tempo.

...

O dia acabou! Irônia de quem está vendo um novo dia nascer e nem ao menos dormiu ainda, mal lembra ele que às seis estará de pé para voltar a deitar no fim da noite e não a tarde como gostaria.

...

Se quarta-feira for tão longa quanto hoje, pensarei seriamente em dormir e acordar no fim de semana...
Nova ilusão!
E de ilusões ele vai levando a semana com a barriga, assim chega-se facilmente ao sábado e rapidamente na segunda da semana vindoura... até que essa semana resulte numa sexta dia 31.

Estou esperando...




Quem deixou tal comentário um tanto estranho de maneira anônima para mim, por favor levante o dedão da mão direita, ok?!
Preciso saber quem diz "também te amo" se ouvir um "eu te amo" antes... mas tudo bem!
Agradeço o comentário, mas deve haver um engano... estou morto e não sabia?!
o.O

De viver eu nunca deixei, apenas parei para respirar quando foi necessário.
De amar eu não poderia deixar, isso me mantém vivo.
De ousar, bem, quanto a isso deixo que respondam por mim, minhas convicções não mudam, apenas evoluem ou se adaptam.

Mesmo assim, agradeço novamente! Mas queria que explicassem melhor, sim.


ps: Citação acima -> É Só Saudade - Ludov

06 março 2006

(In)Condicional


"Os dias que eu me vejo só
São dias que eu me encontro mais
E mesmo assim eu sei tão bem
Existe alguém pra me libertar."

[ Condicional - Los Hermanos ]






Estar sozinho nem sempre associa-se a estar só.
Aos que me fazem bem, minha atenção. Aos que me salvam o domingo a noite e as noites de toda uma semana, EU!

02 março 2006

[ ]


[ ]


E isso foi o máximo que consegui demonstrar em palavras no momento.

Lilya ficará para depois.

01 março 2006

My mind's a burnin' hell.

Andando na rua observo o que nunca parei para ver...
Olho um buraco no asfalto que aquele palio vermelho teima em não desviar. Mais na frente me parece que ele também não enxergará a mulher de 32 anos.

Outro dia e eu continuo acordando sem ver o que tem na minha frente, prefiro fechar os olhos e vizualizar a minha mão, qualquer uma delas, mas que sejam minhas.
Engraçado, falar isso dá uma sensação de liberdade egocêntrica que chega a assutar e a dar sonolencia a quem só pensa em dormir desde sábado... mas essa tarefa não é tão simples quanto parece, então ele põe a cabeça no travesseiro e canta, ironicamente, Beautiful Day do U2 enquanto Morpheus se esforça para fazer seu serviço bem feito... como ele estará se sentindo visto que falhou e vem falhando desde sábado?!

Paro na frente do cinema e percebo uma coisa: não sou o mesmo que saiu há 15 minutos de casa.
Então quem sou?!
Será que apenas sou sem mais nada a acrescentar?!
A que ponto cheguei... ou melhor, a que ponto pretendo chegar?!

Ao contrário do que disse antes, eu ainda não vi tudo, ainda não vi quem fui e não sei se pretendo ver quem serei...
Que droga! Por que eu tinha aprender a olhar pra Björk com outros olhos, ainda por cima lacrimados?!

Estado de espírito em constante mudança... hora pra baixo, hora um pouco mais fundo.
rsss

Brincadeiras particulares a parte eu diria que consigo acordar e dizer bom dia para quem passar na rua e, simplesmente, sorrir pra mim.
Mas digo que apenas isso, mais já é pedir muito.



[ Cripple and The Starfish - Antony and The Johnsons ]