21 setembro 2006

Sobre Todas as Coisas por Bethânia

Numa história de idas e voltas eu me pergunto se sou criatura ou criador...
Se sou criador do meu desejo, por que resolvi ser tão cruel comigo mesmo?
Se sou criatura, quem me tirou o leite e o mel prometido pelo Chico?
São perguntas feitas sobre tantas coisas... perguntas repetidas e frisadas por tantas vozes, tantos timbres que confundem os lábios que procuram o mel e derramam o leite.

Para que tomar as canções menos óbvias para si?
São histórias apenas, palavras musicadas, versos cantados...
... histórias apenas.
Letras políticas com palavras democráticas... deveria me servir da ditadura musical. Nenhuma palavra significa nada além de seu próprio significado. O subjetivo torna-se concreto e ponto.
Três deles.
E uma nova frase com sentido ambiguo. Uma nova frase atropelando a língua alheia, um novo substantivo sendo adjetivado, um novo verbo sendo compartilhado com uma nova voz, um novo corpo.

A mesma música em um outro significado.
O mesmo ser em notas diferentes.

18 setembro 2006

Pedras ao Mar

O tempo escuro cede aos raios criados pela junção das lâminas afiadas dos machados de meu Pai...
É a chuva que chega de céu limpo, chuva fina de minha vó purificando o corpo que pisa firme e mantém- se forte diante das cores de São Bartolomeu.

Segue o destino olhando pr'os lados e encarando de frente; move pedreiras com as mãos se maldizem sua Mãe bendita e sua fé na Marujada Fagueira.

Das águas profundas nasce o sentimento que guia meu sorriso e escondem-se as lágrimas que não devem chegar. Guardadas a fundo, emergem sozinhas quando o profano se diz humando e o desumano tenta ser poético.
No seio de Iemanjá guardo o que sinto e o sinto por meu Pai.
Nos olhos de Xangô estou despido...
Em suas mãos, minha vida, meu vestido de codnome destino.
Um espelho é o que sou!

Em minhas ações que sejam feitas as Suas vontades;
Em meus pecados, sua justiça;
Para minhas fraquezas, sua compreensão e o colo de minha Mãe;
Que em minhas decisões esteja o seu vigor;
No meu discurso, sua força, sua prudência;
No meu caminho, sua glória!

Que o menino que começa a caminhar possua nas mãos os machados que ofuscam o medo. Que ele possa adentrar a mata protegida por São Sebastião e atravessar o rio de sua mãe, chegando em seu destino com riquezas, presentes de Senhora Oxum.

Que o sorriso de cada dia acordado seja de agradecimento e, cada lágrima, de passageiros momentos.

Que não me faltem cores para sorrir.
Que não me faltem formas para ajudar.
Que não me faltem palavras para agradecer.
Que não me faltem ouvidos para aprender.
Que não me falte boca para silenciar.
Que não me falte fé para combater.
Que não me faltem amores para respirar.

Em meu ori o sustento de Vossas mão.

[11/set./06]

"Eu vim de bem longe, eu vim, nem sei mais de onde é que eu vim
Sou filho de rei muito lutei pra ser o que eu sou
Eu sou negro de cor mas tudo é só amor em mim
Tudo é só amor, para mim

Xangô Agodô

Hoje é tempo de amor
Hoje é tempo de dor, em mim

Xangô Agodô
Salve , Xangô, meu Rei Senhor

Salve meu Orixá

Tem sete cores sua cor
sete dias para a gente amar
Salve Xangô, meu Rei Senhor
Salve meu Orixá

Tem sete cores sua cor
sete dias para a gente amar
Mas amar é sofrer
Mas amar é morrer de dor

Xangô, meu Senhor, saravá!
Me faça sofrer
Ah me faça morrer
Mas me faça morrer de amar
Xangô, meu Senhor, saravá!

Xangô acordou!"

[Cantom de Xangô - Vinicius de Moraes]

12 setembro 2006

Lady In The Water de M. Night Shyamalan

Uma história de ninar como já não se faz hoje em dia, como já não se vive...

Apenas não se permanece no sonho o tempo todo, uma hora o escuro do cinema se ilumina e você é puxado de volta à realidade e não adianta, por mais que você feche os olhos, nada volta, apenas torna-se mais distante.

"Eu não quero isso seja lá o que isso for.
Eu não quero aquele, eu não quero aquilo
...
Não quero medir a altura do tombo
nem passar agosto esperando setembro
...
O melhor futuro este hoje escuro
O maior desejo da boca é o beijo
...
Nada tenho vez em quando tudo
tudo quero mais ou menos quanto
vida vida noves fora zero
Quero viver, quero ouvir, quero ver..."

[Bandeira - Zeca Baleiro]