29 abril 2006

Em ausência de mim.

Porque, quando verde, tocas o chão com a maciça dureza de teus pés calehados, que já de tão falsos não sobrepõem minh'alma, minhas mãos.
Com acidez, cuspo o chão pisado por teus chinelos gastos.

Vassalos!

Sem humildade nos gestos,nos seios o sabor do leite diurético.
Anticoncepcional barato, que nao impede sequer um bastardo do azar de vir ao mundo, de, junto contigo, ser mais um moribundo, uma estatística social, negativa e banal.
Um filho chamado orgasmo,
um filho fingido,
um pai usado.

Roubaste tudo que me pertencia,
deixaste-me o ódio, levaste as alaegrias...
... fantasias utópicas, oníricas.

Caí de joelhos no barro molhados de teuus lábios,
desfaleci envenenado no leito de quem um dia amei, pra quem tantas vezes me dei, cedi, não medi.

Fui escravo do acaso,
como em "Uns Versos",
o silêncio ao contrário.
... pelo medo ironizado...

Eu só queria uma base, um sustento...
não queria me realizar com cartazes, possíveis eventos.

Se a culpa foi tua, por que o sentimento de puta é meu?

Já vomitei teus beijos por toda a sala,
já assassinei as testemunhas da casa,
já cortei meu cabelo, já pus a roupa pra lavar...
... o lixo já está na porta, então onde anda aquela senhora?

A distinta dama, ordinária e covarde,
que primeiro me excita a pele, depois e esconde a vontade.
A senhora que lê os diários que nunca escrevi,
que descobre-me nas páginas que apenas pensei, que um dia sugeri.
Todas com letras minhas: de fôrma, cursiva, diferentes, porém minhas!

És puta na razão de amar e esquecer que amou.
Foste minha sem razão ou pudor.
És puta na cama, nas palavras ao dizer que me ama,
nos beijos esquecidos em minha barriga suada,
nas moridadas deixadas em meu pescoço alongado,
nos vários gemidos que revidava calado.

Ah maldade!

Se o que querias era um noite ou duas, por que não me disseste teu preço?Para satisfazer tuas vontades ou para me amarrares em teus calcanhares?Que figurinha sou eu?
Qual número ocupo na tua pasta colecionadora?

Devoradora é o que és!

Apenas nos usa e nos joga aos teus pés.
Não és moça nem pura, és puta!
Puta rica que distribui prazer.
Puta ninfa que realiza um voyer.
Puta fingida que não se envolve, moça vadia que não se dissolve.

És linda, mas nunca foi minha.
És minha sem precisar ser.
És o que és, e não o que quero.
És quem eu amo, mas quem não me quer.
És meu espelho convexo.
Sou eu em ausência de mim.

[26-04-06]


Elias Regis, espero que tenha paciência para chegar ao fim desse texto que fiz no intuito de 'brincar de rimar'. O que era uma brincadeirinha boba para construção de um textinho bobo, acabou me instigando e caí, mais uma vez, num texto mas sério e que não deixa de ser um tanto bobo. (risos)
Então, fiquei surpreso com o teu comentário. Nossa, faz um tempo que não 'escuto' nada assim, pra falar a verdade, acho que nunca li nada assim sobre os meus 'rabiscos'.
Fico feliz por você ter encontrado meu blog e ter lido meus textos(não sei se leu todos eles, caso tenha lido, parabéns e obrigado pela paciência!). Só acho uma pena você não ter deixado o teu blog ou deixado um recado no orkut. Claro, também adorei sua discrição, seu respeito e cuidado com as palavras. Adicionei o seu msn, mas é um tanto mais difícil pra mim agora entrar nele. Quando e se passar aqui de novo, espero que deixe o teu blog para que eu possa dar uma olhada.
Mais uma vez obrigado pelos elogios(por mim não esperados)!

Meu piano intocado agradece!
(risos)

ps: Eu esqueci de Coldplay no meu orkut? Preciso rever isso...
ps2: Jornada da Alma é lindo e psicologia me atrai bastante, mas fico com o cinema e a psicologia contida nele, obrigado.
ps3: Não achei que fosse uma cantada.
ps4: E de onde você tirou que eu namorava? (risos)

20 abril 2006

Segredos de Liquidificador (16/04/06)

Hoje eu vou te contar um segredo...
um segredo de como acordei mais cedo,
de como sequer consegui dormir.
Contarei como olhei pro lado e tive medo, como ouvi aquela música e senti que seus acordes me sufocavam,
de como você se fazia presente em sua ausência
e de como isso me amedrontou.

Hoje eu vou te contar um segredo...
andei pelo apartamento, aparentemente vazio, e achei onze pessoas em cada cômodo que visitei.
Achei uma criança de seis anos atrás de uma planta na sala de estar,
ela olhava curiosamente o aparelho de som e todos as suas cores,
tudo era novidade para ela.
Em segredo direi que ela abriu a porta da varanda e olhou para o peixinho do aquário... em segredo direi que ela não voltou e que jamais a vi.

Hoje eu vou te contar um segredo...
eu parei o trânsito paulista!
Andei no sinal vermelho e parei quando ficou azul.
Sim, naquela noite em que o sol brilhava, o sinal era azul!
Eu fechei o cruzamento em frente a placa que proibia tal ato.
Eu estive dançando no escuro. Eu nadei no seco e me senti molhado, eu me senti sujo.
Fui uma puta por quinze segundos... meia hora depois fui canonizado.
Diz que eles são tolos, diz que nunca fui santo.
Desmente que um dia fui demoníaco, mas fala baixo... ninguém precisa saber a verdade.
Deixa o mito sobreviver.

Hoje eu vou te contar um segredo...
está verde ao meu redor, mas meus olhos continuam escuros,
Está cinza lá fora, mas minha camisa é de cor vinho e não me perderei no asfalto.
Hoje eu não vou marcar encontros, desmarquei o que havia programado comigo mesmo.

Hoje eu vou te contar um segredo...
falarei absurdos e bobagens, falarei mentiras jurando que são verdades,
desmentirei verdades ditas em papel carbono.
Farei colagem de frases importantes... importantes sim!
Estão impressas, quem duvidará?
Hoje eu quero dançar com rosas nos pés, quero rodar e ver o mundo girar ao meu redor como todo bom leonino deseja. Quero cair e pensar que a vida está caindo comigo, quero pensar e sentir por um minuto como se eu possuisse o controle de tudo, ou ao menos do que se encontra ao meu redor, ou ao menos de minha própria vida.
Quero me sentir senhor da situação!

Hoje eu vou te contar uns segredos...
mas apenas os importantes, ou melhor, os inadiáveis.
Vou te contar que sou o sono que não veio noite passada, que sou o medo de te ter e que fui o medo de perder-te depois que te possui...
Sou a criança que andou pela varanda e se escondeu atrás da planta, sou eu mesmo a criança que nunca mais vi...
Confesso que era minha a voz a cantar tal música que me sufocava.
Eu sou a placa que proibia, eu fui o sol naquela noite estranha.
Fui eu que pintei o sinal de azul...

Fui os ponteiros que marcaram minha transição de puta à santo.
Sou o tempo que levei para ir do céu ao inferno e voltar a ser humano.
Eu fui as rosas nos meus próprios pés.
Eu sou o mundo que gira ao meu redor, sou o teto que se mantêm firme e o chão que nunca sai do lugar.
Sou o apartamento e os corredores.
Sou o que passei a sentir.
Sinto o que passei a ser.
Fui o que nunca acreditei ser.
Acredito em tudo que fui e no que não fui eu tenho fortes crenças.
Posso ser o que eu quiser, basta que eu seja eu e que esse eu seja milhões de outros.