28 agosto 2006

Nervos


"- Sente meu coração?
- Sim.
- Ele ainda bate..."

Ontem eu chamei teu nome o dia inteiro... ora em voz alta, ora calado, mas durante todo o dia eu chamei teu nome.
Ocorria-me diversas coisas, nenhuma delas eram fatos, nada era tão verdadeiro que me fizesse ter a certeza de querer exatamente algo.
Tudo tão ocasional... senti falta do meu nome...
Do meu nome pronunciado em voz alta, de estar no quarto e ser chamado à cozinha... senti falta do meu nome escrito numa folha e antecipando uma frase curta e de significado extenso... senti falta do meu nome dito ao acaso, do meu nome gritado, do meu nome nos olhos... do meu nome no nome.

Queria ser e apenas ser.
Não pensei que fosse pedir demais... agora só quero dormir... mas tenho medo de sonhar. Fechar os olhos tem sido tão perigoso ultimamente.

Quanto tempo resta?

...

Ainda estou com medo de sonhar...


Alguém já enlouqueceu por pensar demais?
Por achar que o que se deve fazer é esperar tudo passar deitado numa cama, com os olhos cobertos e meias nos pés?
Acho que não... e isso me assusta.


Quanto tempo já passou?

Aspas e foto: O Tempo Que Resta de François Ozon (Le Temps Qui Reste)

21 agosto 2006

Pedaços de um abril.

De repente, tudo o que era ontem, amanhã já não seria mais nada, apenas espera, lamento e destino...
O mesmo suor do esforço transformaria-se em tremores de pernas e bater acelerado no peito. Qualquer som derivado de uma tempestade nunca vinda anunciaria o fim ou um novo começo.

Mas ainda se podia voar e pensar que aquele músculo vermelho que bombeia vida em nossas veias exerce mais funções do que apenas avisar que o medo chegou. Aquele órgão vibrante e cheio de vigor ardia com o fogo saído dos lábios pertencentes aos olhos claros e a pele bronzeada, aos cabelos cacheados que rodavam por um dia numa corda frágil que unia dois sentimentos e apenas quatro mãos... o órgão visceral palpitaria novamente, ainda por medo, mas com uma conotação diferente, completamente nova, praticamente exposta nos lindos olhos antes suados, agora com brilho de possibilidades... agora com riso... cantando num tom tão agudo que sereia alguma ousaria chegar.

...

O grito chegou, a noite voltou rapidamente deixando de lado o dia que nem chegou a passar.
Junto do grito, a dor.
Junto da dor, a liberdade.
Na liberdade os sonhos... os desfeitos e os prestes a se realizar...
um grito nos olhos e o encontro do menino com a sereia...
um sonho nos lábios e o menino crescido conheceu o mundo... o seu mundo.

[Foto: Abril Despedaçado de Walter Salles - 2001]

10 agosto 2006

Perecíveis e descartáveis.

Resolvi tentar dizer os motivos... não importam mais as consequências, tentarei expor as causas, sem falhas, essas ficaram rabiscadas num papel amassado qualquer. Quero apenas te mostrar os planejamentos que sequer chegaram ao papel, a esferográfica passou longe de provar realidades que só existem em minha cabeça sonhadora... ... Sonhos... talvez não exista meio melhor para justificar determinados fins.
Creio não saber o que pretendi justificar, mas mantenho a certeza de que determinei os fins e sonhei com os meios.

... Meios... metades... partes e pedaços...
Motivos à parte e em pequenos pedaços partidos ao meio. Cada metade com suas verdades, cada verdade com suas consequências desimportantes, toda a importância de planejamentos em pedaços... sonhos à parte e partidos por noites confusas e mal dormidas...

... Falta...

Sobram-me motivos perecíveis e descartáveis...
Tentei dizer... mas começa a ficar difícil persuadir as palavras a meu favor e protagonizá-las sem parecer tolo ou desesperado... e os motivos palpáveis são tantos...

Antes continuar preso ao medo de "escrever" que amo, do que soltar verdades perceptíveis e particulares.

...

Resolvi guardar meus motivos... as consequências já se expuseram demais.



"Eu tenho tempo pra tudo mas falta sempre um minuto."
(In)Conformado - Beto Brito

04 agosto 2006

"Ninguém escapa ileso de um shakespeare!"


:: R & J ::


Em 1997, a autor e diretor norte-americano Joe Calarco começou a trabalhar com 4 atores num workshop que resultaria na premiada montagem de "R & J", sua versão desconstruída de Romeu e Julieta, de Shakespeare.

A peça chega ao Brasil, depois de inúmeras montagens internacionais,no Teatro Augusta. Montagem inaugural do Núcleo Experimental do Teatro Augusta.

Com Duda Mattos,
Thiago Carreira,
Thiago Ledier e
Vinicius Cruz.
Direção de Zé Henrique de Paula.
Direção musical de Fernanda Maia.
Preparação de atores de Inês Aranha.
Produção de André Ferreira e Fernando Padilha.

Em cartaz a partir da segunda semana de agosto todas as quartas e quintas no Teatro Augusta, às 21h. Uma direção excelente e atuações inibidoramente contagiantes. Vale a pena prestigiá-los. CURTA TEMPORADA! Apenas até 31 de agosto.