30 novembro 2006
# Quinta - feira (sem meias palav... meio e ponto)
27 novembro 2006
# Segunda - Feira (Todo dia...)
Estava encostado alí... naquele mesmo lugar que sorri sem perceber que me observavam. Os álibis sussurrados de Djavan saiam de alguma vitrola antiga... mas se fez perceber de longe. O dia estava quente mas a chuva continuava caindo como se não importassem os passos molhados e apressados que andavam de cabeça baixa na rua Alagoas. Parei no sinal e comprei pipoca doce... me encolhi confortavelmente numa banca e me cobri com arnaldo antunes na capa de uma revista... procurava meu pedacinho de frio, um conforto remasterizado, uma informalidade com minha própria sombra. Passei o resto da tarde procurando esse pedaço de mim que havia esquecido em algum lugar do eu que não sou eu, mas que faz parte de mim, ao menos de um todo (quase) indivisível. Sentei num barzinho e fiz-me rir de tudo, do que não importava e daquilo que só criava certa graça depois de alguns copos de cerveja escura e calças desabotoadas... eu estava me divertindo, de fato.A noite continuava quente, e nada esfriaria aquela "vontade de viver" que o bar e seu ambiente me dera. Tornei-me um clichê de falas e gestos. Músicas que ninguém mais toca (tampouco ouve ou lembra), palavras que ninguém na terra da garoa conhece, gestos que negam minha rotina mas que me formam.
Como Marisa, "mesmo triste eu estava feliz"... e fiquei assim o resto do dia que já não era dia, na madrugada que lembrava a noite passada e tantas outras noites que não passaram. Usando referências musicais e melodias inventadas por mim, adormeci sem sonhar... isso eu já faço bem acordado.
"Debaixo d'água tudo era mais bonito, mais azul, mais colorido
só faltava respirar... todo dia... todo dia."
[ Debaixo d'água - Maria Bethânia ]
09 novembro 2006
# Quinta - feira (são apenas mãos...)
07 novembro 2006
# Terça- feira (what about...)
Disseram-me que "extravasar" vale a pena quando se tem algo a dizer... Achei, momentaneamente, óbvio.
Mas o que seria o óbvio se não fossem as contradições, o não ser exato e ter como chão certas imprecisões?
É como se meu silêncio, por vezes, fosse meu modo mais sincero de extravasar. Calar e por um ponto... três deles, e começar uma nova fase, sem apagar o que foi dito, apenas lançando o que havia para dizer num futuro mais oportuno.
...
Gosto dessa palavra - oportuno -, não da derivação oportunista, mas da oportunidade, é bom quando se possue algumas, quando sabe-se aproveitá-las. Ter a oportunidade de dizer que sente muito quando na verdade você queria dizer que nada vale a pena se distante, que tudo é uma pena quando perto demais. É quase mórbido falar do perto, do fechado, do silêncio que incomoda quando sabemos perfeitamente aproveitar tal estado de ausência das palavras.
Evitar o quereres a todo custo, custiar o quereres de outrem... é tudo exercício, é tudo prática, é quase nada de experiência, é praticamente vivência. É paradoxal, verdade seja dita.
Ter pudor não é deixar de amar, é ser impulsivo quando ninguém está olhando, é ser expontâneo ponderadamente, é ter nos olhos o sentimento para quem realmente interessa enxergar. O que você pode me cobrar agora? Que tipo de reconhecimento mesquinho e ingênuo você transformará em afeto? Preciso apenas saber o seu número de calçado e qual cd da Bethânia falta em sua coleção, não é pedir muito...
"We aren't free.
Do you miss my smell?
Do you feel like you belong? ... or just mildly free?
... What about me?..."
[ Accidental Babies - Damien Rice ]
*me impressione!



