Vou te contar um segredo...
De como cheguei mais cedo para ver o rosto de todos os dias maquiado e imóvel.
Eu tinha escolha, sei que tinha, mas precisava da certeza óbvia que todos precisam, fui São Tomé por meia dúzia de minutos atropelados e quis sair correndo pelo hall.
Encarar a realidade me assusta.
De como cheguei mais cedo para ver o rosto de todos os dias maquiado e imóvel.
Eu tinha escolha, sei que tinha, mas precisava da certeza óbvia que todos precisam, fui São Tomé por meia dúzia de minutos atropelados e quis sair correndo pelo hall.
Encarar a realidade me assusta.
Vou te contar um segredo...
Havia sêmen naquela cueca e sinceridade plastificada num sorriso falso.
Era como um jogo de possibilidades e nenhuma a meu favor.
Era como um jogo de possibilidades e nenhuma a meu favor.
- Eu te proibo de corrigir meus passos.
- Você sempre se arrepende no final, então achei melhor...
- Então não ache!
- Só não queria que você se perdesse.
- Deixa eu decidir isso, ok?
- Só não queria que você se perdesse.
- Deixa eu decidir isso, ok?
- Tudo bem...
- Deixa eu tropeçar no meu próprio cadarço, cair no meu silêncio, bater a cara na parede errada, sei lá, o que você preferir... ah, como detesto essas metáforas bartas que uso na tentativa de me explicar. Para quem? Para quê? Nem sei porque estou divagando sobre essas coisas na sua frente.
- Pode desabafar...
- Ah, dane-se sua compreensão! Eu quero apenas o teu não pr'as minhas vontades...
... isso já não é segredo (quando?).
Então vou te contar um segredo, um novo segredo, te mostrarei um objeto guardado...
Há alfinetes na almofada, ninguém sabia disso até que mostrei dois pontos em minhas mãos - digitais desfoques - acreditando realmente em alfinetes.
Vou te contar um segredo.
Eu sou as duas pessoas do diálogo e as vezes esqueço de unir os dois e ser eu mesmo.
Alguém conhece meu equilíbrio e eu já fui feliz assim.
Não o conheço bem, não me conheço bem.
"Alguém conhece meu equilíbrio."
Vou te contar um segredo...
A morte diária faz bem. Elisa Lucinda disse e eu acredito.
Ressucitar não é fácil, mas não pretendo andar sob as águas, quero apenas nascer de novo.
Não é milagre, é apenas necessário.
Estou cheio de referências em mim mas nenhuma delas me define completamente, algumas nem superficialmente.
- Preciso de você.
Não sei, do que você foi pra mim um dia... do que nunca se permitiu ser. Preciso daquela parcela de culpa que te anula de qualquer erro meu.
- Isso também é necessário?
- Como também?
- Tudo até agora tem sido.
- Bom, não pensei...
- Exato! Você não pensou. Qual a novidade nisso... tudo é necessário, imediato e de acordo com suas vontades. Meu tempo, meus sims e - por raras vezes - meus nãos.
- Certo, mas você não me dar a chance de...
- ... explicar? Pra quê? Ou melhor, explicar o quê? Você vive se explicando sobre o que ninguém te perguntou, dando satisfações de coisas que ninguém quer ou precisa saber. A vida é tua, é minha, sei lá, parecia ser nossa.
- Você tá magoado comigo, né.
- Estou magoado comigo por não ter tido a coragem de dizer que você não podia tomar sempre a frente de tudo, por deixar você abafar minha voz até agora.
[Silêncio]
[Silêncio]
- Quer que eu vá embora?
- Não. Mas fica um pouco escondido essa noite, tá?
- Tudo bem.
E em frente ao espelho tudo é o que parece, principalmente quando represento o mesmo papel dos dois lados.
"Me mata essa vontade de querer tomar você num gole só."
[ Digitais de Isabela Taviani]


