Permissão...
Você não pediu. Mas ainda assim está parado em minha porta esperando que eu deixe você entrar.
E o que posso dizer quando não há querer nesse dizer?
E quando só resta o querer, o que fazer?
Tantas perguntas, tantos porquês e um Neruda de bolso que me faz acreditar que você realmente trocaria a primavera por um olhar, um sorriso meu, mesmo que de longe.
Mas eu quero perto.
Quero o aqui. O abraço... quero o sorriso, a resposta.
Enquanto isso vou me satisfazendo com o talvez, com a possibilidade de vir a ser ou simplesmente com os caracteres carinhosos de uma mensagem.
Que gosto tem isso?!
A satisfação de estar perto... qual é o sabor que ainda não conheço?!
Conheci a noite de sono perdida que te deixou marcado em mim o dia inteiro e, apesar de exausto, não tenho sono... não quero dormir, não ainda, não enquanto ainda estás em mim, impregnado, agarrado em meus ombros... eu poderia ficar assim por mais tempo se você prometesse não ir embora quando Morpheus chegar.
Você promete?
Jura?
Não, não é preciso... nem gostaria que o fizesse... Me deixa descobrir, me mostra... não, também não quero provas, apenas me deixa descobrir que no amanhã você vai continuar no mesmo lugar, talvez mais perto.
(...)
Hoje arrumei o quarto, revi fotografias, reli trechos de livros que eu mesmo marquei, passeei entre cds e filmes diversos, voltei às fotos, e percebi que faltava algo... um objeto que não se sente com as mãos. Um objeto que não sei bem como distinguir.
Talvez seja uma foto... talvez não.
Um livro de poemas, talvez... provavelmente não.
Uma flor seca no meio de um caderno de anotações pessoais... pouco provável.
Deitei um pouco.
Fechei os olhos, mas não consegui dormir.
Abri-os novamente e enquanto encarava o ventilador de teto inerte no meio do quarto, afastei meus braços como quem procura algo... e achei... finalmente achei.
Era a sua ausência quem estava deita ao lado.
E finalmente descobri o que faltava... era o teu sorriso no meu travesseiro.
Meu abraço nos teus braços.
Conclusão?!
A culpa é do Neruda... certeza!
06 Julho 2009
19 Abril 2009
Texto Interrompido
"Gostava de ir fundo
de não prometer nada
e se arrepender nunca
e ria do amor que eu dava."
(Gostava de Ir - Zé Ricardo)
E você riu.
Eu não pensei que pudesse sorrir para o que restou dos nós... mas eu ri.
Desesperadamente eu ri e já não podia parar. Nem sei se havia querer nesse verbo.
A noite foi chegando, o quarto diminuindo em meus pés, meus olhos fechando num frasco de comprimidos e sua voz virando apenas sussurro num ouvido qualquer de minhas paredes.
Seu rosto estava em minha janela noite passada.
Não sei o que fazia por lá. Nem mesmo sabia que ainda sentia sua ausência tão presente.
Mas sinto falta do seu sorriso... quase o tempo todo.
No restante das horas são seus abraços que ocupam esse espaço, esse vagão desocupado que range com o vento a cada minuto.
Não me lembro como deixei você cair... ou como caí. Guardo a ligeira impressão, quase como uma certeza retraída, que segurava sua mão a todo instante.
Meus olhos
eles não me obedecem mais e desaprenderam a coerência dos instantes.
Nem sempre estão secos quando deveriam e não marejam mais com as palavras certas e os momentos errados.
Levaram meus brilhantes... minhas pequenas pedras negras. Não os vejo mais no espelho
apenas um lugar fundo, um breu, um espaço que já disse tanto e hoje só cala, recolhe e põe pra fora em água... de uma fonte que está secando...
... e secando...
e... secando...
... cadê eu?
de não prometer nada
e se arrepender nunca
e ria do amor que eu dava."
(Gostava de Ir - Zé Ricardo)
E você riu.
Eu não pensei que pudesse sorrir para o que restou dos nós... mas eu ri.
Desesperadamente eu ri e já não podia parar. Nem sei se havia querer nesse verbo.
A noite foi chegando, o quarto diminuindo em meus pés, meus olhos fechando num frasco de comprimidos e sua voz virando apenas sussurro num ouvido qualquer de minhas paredes.
Seu rosto estava em minha janela noite passada.
Não sei o que fazia por lá. Nem mesmo sabia que ainda sentia sua ausência tão presente.
Mas sinto falta do seu sorriso... quase o tempo todo.
No restante das horas são seus abraços que ocupam esse espaço, esse vagão desocupado que range com o vento a cada minuto.
Não me lembro como deixei você cair... ou como caí. Guardo a ligeira impressão, quase como uma certeza retraída, que segurava sua mão a todo instante.
Meus olhos
eles não me obedecem mais e desaprenderam a coerência dos instantes.
Nem sempre estão secos quando deveriam e não marejam mais com as palavras certas e os momentos errados.
Levaram meus brilhantes... minhas pequenas pedras negras. Não os vejo mais no espelho
apenas um lugar fundo, um breu, um espaço que já disse tanto e hoje só cala, recolhe e põe pra fora em água... de uma fonte que está secando...
... e secando...
e... secando...
... cadê eu?
14 Abril 2009
Fabricio Mardegan - "Anjo Ardente"
Nascido em 22 de julho de 1977, às 10h30 da manhã
31 anos
Canceriano com ascendente em libra
Espírita da linha de Umbanda
Ator
Romântico assumido que acredita no amor acima de tudo
Poeta...
... e essa última característica, digo última a ser pontuada, mas características não faltariam para descrevê-lo - seus amigos (porque não dizer, suas paixões) não me deixam mentir -, mas sua veia de poeta é o motivo de hoje.
Conheci o blog do Fabricio (whodouthinkur) há alguns anos, não tantos, mas o suficiente para dizer que é um "mal necessário" para qualquer pessoa que goste de escrever e, principalmente, para qualquer um que tenha sua carteirinha do clube dos últimos românticos em mãos.
Então, indo direto ao assunto... eu passei alguns meses lendo várias coisas antigas e novas e juntando tudo. E percebi que seus textos, sempre tão íntimos, passeiam livremente entre eles. E, em forma de humilde mensão ao trabalho do Fabricio, comecei a reunir e fragmentar muitos desses textos e criar um único derivado de vários outros.
Segue o texto...
"Não quero te magoar"
Eu queria dizer, mas não disse...
Não há mais amor,
Há apenas um vaso quebrado e histórias que poderia viver,
Mas eu não acredito na dor
Prefiro dar crédito ao amor,
A esta tempestade que me fez entender que
É tempo e não vontade
Que nos traz a verdadeira aliança.
E
Se desta vez eu te perder
É porque eu nunca te tive...
... não me peça para explicar
Isso eu não aprendi ainda
Sou como uma semente
Que um dia deseja ser flor,
Desabrochando em teu olhar,
Fazendo aflorar de minha boca sorrisos
Que pedem para serem colhidos por você.
Beija-me!
Eu queria dizer que sou seu
De uma maneira que você entendesse
Mas algumas palavras engasgam em minha garganta,
Feito espinha de peixe que a gente engole sem querer
E não consegue por prá fora... e enquanto tenta,
Rasga, corta, machuca, até sair junto a um pouco de sangue.
Troco esse pouco de sangue por um punhado de paz...
Sei que preciso sentir o pesar,
Mas to com saudade de mim
To como uma Oxum sem alegria alguma... nem tristeza...
Como uma planta que
Precisa de mais luz,
Mais água e muito ar.
Meus pensamentos emaranhados
Estão seguindo igual a um cavalo de corrida
Que nem sabe por que ta correndo...
Bobagem minha, que isso fique bem claro!
Mas eu acreditava em contos de fadas,
Em contemplarmos a lua cheia juntos.
Não me entenda mal quando lhe peço para ficar...
É que meu coração grita que você é atencioso, aventureiro
E romântico,
E que pode fazer um sacrifício para estar ao meu lado
E
Nessa hora
Me arremesso num primeiro vôo
E acredito que
Enquanto existirem pessoas dispostas a transformar
Cinzas em fogo,
Amores serão eternos."
Eu queria dizer, mas não disse...
Não há mais amor,
Há apenas um vaso quebrado e histórias que poderia viver,
Mas eu não acredito na dor
Prefiro dar crédito ao amor,
A esta tempestade que me fez entender que
É tempo e não vontade
Que nos traz a verdadeira aliança.
E
Se desta vez eu te perder
É porque eu nunca te tive...
... não me peça para explicar
Isso eu não aprendi ainda
Sou como uma semente
Que um dia deseja ser flor,
Desabrochando em teu olhar,
Fazendo aflorar de minha boca sorrisos
Que pedem para serem colhidos por você.
Beija-me!
Eu queria dizer que sou seu
De uma maneira que você entendesse
Mas algumas palavras engasgam em minha garganta,
Feito espinha de peixe que a gente engole sem querer
E não consegue por prá fora... e enquanto tenta,
Rasga, corta, machuca, até sair junto a um pouco de sangue.
Troco esse pouco de sangue por um punhado de paz...
Sei que preciso sentir o pesar,
Mas to com saudade de mim
To como uma Oxum sem alegria alguma... nem tristeza...
Como uma planta que
Precisa de mais luz,
Mais água e muito ar.
Meus pensamentos emaranhados
Estão seguindo igual a um cavalo de corrida
Que nem sabe por que ta correndo...
Bobagem minha, que isso fique bem claro!
Mas eu acreditava em contos de fadas,
Em contemplarmos a lua cheia juntos.
Não me entenda mal quando lhe peço para ficar...
É que meu coração grita que você é atencioso, aventureiro
E romântico,
E que pode fazer um sacrifício para estar ao meu lado
E
Nessa hora
Me arremesso num primeiro vôo
E acredito que
Enquanto existirem pessoas dispostas a transformar
Cinzas em fogo,
Amores serão eternos."
Na verdade esse texto possue fragmentos dos textos Otimismo, Valsinha do Amor Verdadeiro, The End, Coração de Leão, Reforma-se Roupas, Aflora, Com o Coração, Escambo, Fotossíntese, I Need a Break, A Vida Como Ela É, Heart Whisper, Mal Entendido (Ou Desculpa Esfarrapada).
Bom, espero que com isso algumas pessoas consigam conhecer um pouco mais do trabalho dele.
Fabricio,
"nada do que eu fizer terá tanto significado, nada do que eu disser terá tanto sentimento, no entanto, hoje, gostaria que soubesse, que apesar de não ter nenhuma explicação, esse sentimento diz: és único!"
Um grande abraço ao Fabricio que me autorizou a "brincar" com seus textos e disponibilizá-los em meu blog.
À você, o melhor que a vida possa oferecer.
Aos demais, boa leitura!
08 Abril 2009
19 Março 2009
16 Março 2009
Na lente
Eu não gastaria minha vida apenas desejando."
Tenho medo.
Descobri agora há pouco. Um fotografia. Foi culpa de uma fotografia. E eu nem estava lá...
... E meu medo foi esse: o de nunca estar lá.
E tentei pensar que era apenas uma fotografia. Mas não funcionou... assim como não funcionam os edredons para quem tem medo de trovão.
Vi tantas fotos, tanta imagem registrada de um par que na verdade são três, cinco, sete... e no meio desse par existem sempre outros ímpares à somar o que o dois já ilustraria tão bem.
Tive medo de passar no tempo e nossa história não acontecer, de ficarmos para sempre na sombra.
- Bobagem! - pensei. - Nossa memória é o melhor dos álbuns que alguém poderia colecionar.
Não tenho dúvidas... as fotografias registram momentos, pequenos instantes de descontração diante de uma lente que podem transmitir sensações, mas que não consegue guardar a essência de quem viveu a paisagem.
Mas ainda assim eu tive medo. Eu fiquei triste ao folhear todas aquelas fotos e nos encontrar separados nelas. Haviam muitas suas, outras tantas minhas, e umas duas ou três nossas, tiradas por mero acidente.
E quanto tempo faz isso? Há quanto tempo existe o nós?
É... há quanto tempo existem os nós?
Não importa... sei que no dia em que desatarmos esses laços que, em antítese, nos separa, acharemos uma foto nossa no meio dos nós. Só nós.
"Eu, você, nós dois
Sozinhos neste bar à meia-luz
E uma grande lua saiu do mar
Parece que este bar
Já vai fechar
E há sempre uma canção para contar
Aquela velha história de um desejo
Que todas as canções têm pra contar
E veio aquele beijo..."
[ Fotografia de Tom Jobim ]
11 Março 2009
Deixe Secar
Cinco da tarde.Ou da noite, já não parece importar.
Dia quente lá fora mas, aqui dentro, algo derrama, algo escorre, transborda como um gozo que não se contém, involuntário. E o prazer não confirmou presença, nem caixa postal, nem voz, nem nada, apenas gozo.
Mancha branca qualquer, quase um carimbo de quem cumpre um compromisso burocrático.
E onde ficamos nós?
A cidade vai vestindo o seu cinza rotineiro e há muita neblina nos humores.
Não consigo te achar e sequer saiste de casa.
Pés no chão, mãos grudadas nos bolsos da bermuda que ficou no tapete do quarto.
Minha cabeça inquieta largou meu rosto na janela chuvosa da sala e cá estou... fragmentado pela casa, uma parte em cada vão e acabo de jogar fora meu sorriso torto em seu vaso preferido.
Pode levar!
Se quebrou agora cola... junta tudo, me põe num copo e bebe. Deixa apenas uma gota secar no carpete para que nada seja esquecido, mas para que a lembrança não deite sempre em nossa cama.
Deixe secar.
Quanta saudade é possível sentir até que se mude de idéia?
Pois é... me diga você.
E, antes de dormir, tome um copo d'água.
Está quente aqui dentro e o gozo secou.
"O carinho do dedo adolescente
que eu poderia fazer em mim
de repente,
não te substitui - nem me ilude
É incompetente!
Parece ter uma plaquinha pregada decente:
'Lugar de outro - não entre.'
Trecho de “Lugar do Outro” de Elisa Lucinda do livro "Euteamo e Outras Estréias"
16 Fevereiro 2009
Virce-Versa
Não deveria ter deixado você sair daquele táxi...
"Segue em frente!"
"Não pára até virar a próxima esquina."
Nada.
Tantos anos de cinema e horas de locadora para quê?!
Deixei que nossa noite terminasse quando o encanto chegou ao ápice.
Estou ficando bom nisso... em terminar coisas que mal começaram. E dessa vez não tem virce-versa. O verso é único e não rima a nosso favor.
Mas passou.
Mais um táxi passou. Estou numa esquina qualquer esperando um carro que não esteja vago, talvez você esteja nele, talvez ele me deixe onde você está... talvez não. Mas ainda há um talvez. Prefiro dizer que sempre existiu um talvez onde sempre houve um "se".
Mas se hoje eu encontrar um táxi aceso ao longe, talvez descubra um novo verso que rime com a gente.
(...)
- Pode parar aqui, por favor. Mas eu não vou descer. Não hoje.
14 Fevereiro 2009
Preview Oscar 2009 - "Silêncio, por favor!"
O Leitor de Stephen DaldryTem dias em que acredito que é possível sorrir, apesar de tudo... tem dias que realmente quero isso.
Há momentos, dentro destes dias, que imagino ser impossível manter essa expressão. E assim caminho.
Choro, corro, canto... e, sempre que dá, grito.
E é nesse grito que eu ponho pra fora tudo o que eu queria te dizer e que você nem sempre merece ouvir. É com ele também que engulo todas as coisas que nos mantém longe e tudo aquilo que dói constantemente, mas que não precisa ser dito nem mostrado.
Manter a cautela sempre.
(...)
Tem sido nosso refúgio. Um resguardo de nós mesmos para com o mundo e com a gente. Motivo de nossas brigas e de meus tremores. Mas sustento de nossa cria... ahhh menina tão frágil e de beleza rara, mas que preservamos como a um filho ou um objeto muito valioso que se pudesse quebrar com um simples sopro. A batizamos de felicidade. Assim, sempre que estamos juntos a colocamos no colo e cuidamos de alimentá-la ao máximo, para que não sinta fome em nossa ausência, e para que nunca se esqueça de nós quando distante.
E ainda assim eu grito.
É preciso as vezes.
Como é preciso agora... como foi há poucas horas... mas passou. E agora apenas o silêncio quer se manter presente. Mal consigo falar, parece que, se preciso fosse, eu teria de fazer uma força enorme para que qualquer som saísse de minha boca.
Mas ainda assim, tento cantarolar uma canção que gosto... que me faz querer sorrir... que me lembra você. E, apesar de meus lábios se mexerem numa sincrônia desengonçada, não há som.
Melhor assim, calado.
Esse silêncio já estar a fazer muito barulho em meu quarto... gritando aqui dentro... e preciso acreditar (sempre) que sou eu mesmo, minha melhor companhia.

(Kate Winslet e Sthephen Daldry, me venceram com este "The Reader", do mesmo modo que o mesmo Daldry junto com a Julianne Moore o fizeram em "As Horas", com o silêncio. E é exatamente como estou me sentindo agora, algo como 'vencido pelo silêncio'. E faz exata uma semana que eu o assisti.)
Obs.: A propósito, dou meu Oscar a ela esse ano.
10 Fevereiro 2009
Preview Oscar 2009 - "Infinita Highway"
Apenas Um Sonho de Sam MendesE dizem que o sonho permanece quando se tem esperanças.
Mas que esperanças são essas? Ou melhor, quais sonhos permanecem e quantos deles precisamos descartar?
Mas que esperanças são essas? Ou melhor, quais sonhos permanecem e quantos deles precisamos descartar?
- Só mais uma dose e eu vou embora.
- Você prometeu!
- Sim, eu prometi há três doses atrás.
- Sabe o que é engraçado? Você fica sério quando bebe o que faz a minha retórica nunca ser suficiente. Se bem que ela sempre fica comprometida quando tem apenas uma mesa de bar entre a gente.
- E por que a mesa virou ponto de referência nesse assunto mesmo?
- Porque ultimamente é através dela que fico mais perto de você. A menor distância que consigo chegar de ti nos últimos meses é assim: com uma mesa separando. Apenas uma mesa.
- Você não está mais em condições...
- Não não não... deixa, deixa eu falar... Quer ouvir uma coisa engraçada?
- Vá em frente...
- Eu acreditava na gente. Não, mais que isso, eu acreditava que a gente era feliz, que podíamos dar certo. Mas hoje eu vejo que apenas nos suportamos por todo esse tempo. Eu sufocando meus sonhos numa gaveta esperando que você se dê conta do quanto odeia tudo o que te cerca e que você chama de rotina. Só que o que você chama de falta de tempo eu chamo de perda.
E a gente perdeu. Agora me diz: que condições são essas que você acha que eu não tenho?
- Engraçado é eu ainda ter de te levar pra casa depois de ouvir tudo isso.
- Não meu caro, não. Você não tem que fazer mais nada. Tudo o que você me deve... não, tudo o que você deve a si mesmo não paga metade do tempo que desperdiçamos.
Faz o seguinte, paga nossa conta, pega teu carro e me deixa aqui. Devolve meu copo e me deixa com a mesa. Com essa lembrança que me faz querer estar perto, mas que me mantém onde devo ficar. Só não consigo descobrir o tamanho dessa distância, e pelo visto não é você quem vai me dizer.
- Garçom!
- Boa noite.
- Fica em paz.
- Esteja certo que tentarei.
(Sam Mendes é um dos diretores que atualmente sempre me toca de algum modo... e não falo de Beleza Americana e Soldado Anônimo apenas, falo num contexto geral. E Kate Winslet... bom sempre a considero culpada. Está mais uma vez ótima, mas eu daria o Globo de Ouro de atriz coadjuvante para Viola Davis por Dúvida. O de melhor atriz já estava de bom tamanho.)
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