21 março 2006

Peripécias Desimportantes - Nokia 3310

Funcionário de uma rede conhecida de farmácias sai do trabalho as oito e quinze da noite de uma segunda-feira.
Atravessa a rua tranquilamente e, olhando para os lados, chega ao ponto de ônibus.
Após mais ou menos dez minutos de espera, seu transporte abre suas portas e ele sobe.
Passa pela borboleta, caminha até o fim do corredor e senta-se ao lado de uma senhora, mais ou menos 53 anos de idade, que dormia estranhamente como se estivesse sorrindo.
O funcionário da tal farmácia começa a observar os passageiros e nada de anormal acontece.
Poucos segundos depois, observa uma família dividida em dois bancos, mãe(45 anos aparentemente) com filha pequena(dois anos, talvez) dormindo no braço num acento do mesmo lado que o dele, e dois irmãos, um menino(entre oito e nove anos) e uma menina(seis, talvez sete), filhos da mesma mulher, nos acentos do lado oposto.
Os dois irmão brigavam para jogar snake num celular nokia 3310 com capinha desbotada do mickey.
O menino era esperto e egoísta, perdia mas não passava o aparelho de comunicação móvel para a irmã.

[menina]
- Mãe, olha pro Artur!! (voz chorosa)
[mãe]
- Deixa a sua irmã jogar, menino! (voz exageradamente firme)
[menino]
- Calma, é só mais essa, to já perdendo.
[menina]
- Mentira mainha! Ele já perdeu!!
[menino]
- Perdi nada!
[menina]
- Perdeu sim! Eu vi a cobrinha comendo o rabo!
[menino]
- Viu nada.
[mãe]
- Eu vou tomar esse celular, cês tão me ouvindo?
[menina]
- Ô mainha, mande ele me dá, váááá!
[mãe]
- Artur, dê pra sua irmã essa merda logo, vá menino! Num me tire a paciência não.
[menino]
- Pronto! Morri, tá vendo?! Olha aí, você quer jogar o quê? Diga que boto pra você.
[menina]
- Quero a navezinha...
[menino]
- Sabe como joga? É assim ó... (começa a jogar)
[menina]
(cai no choro e chama pela mãe)
[mãe]
- Ô menino, cê qué apanhá é?! Num me faça levantar daqui pra dá em você, não. Olhe que eu jogo meu chinelo daqui...
[menino]
- Oxe, mas eu só tava ensinando ela...(choroso)
[menina]
(continua chorando, agora um pouco mais alto)
[mãe]
- Chore não minha filha, chegar em casa eu dou pra você jogar. Agora me dê essa merda logo, vá Artur. Antes que eu faça você engolir esta porcaria.
[menina]
(agora sem chorar, apenas enxugando o rosto)
[menino]
(de braços cruzados demonstrando raiva)

- silêncio por um instante -

Chega o ponto do funcionário, ao levantar e puxar a cordinha o silêncio é rompido e, antes que de descer, ainda escuta:

[mãe]
- Tá vendo? Acordaram sua irmã!! (furiosa)


Ele desce e sai pensando o porquê do menino não ter adimitido antes que a cobrinha já havia comido o rabo...


[ Eu Sou o Tao - Rádio de Outono ]

3 comentários:

Dea disse...

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hauhauhauahuahauhauahuahauhauhauahauhauh
...
[morrendo]

Dea disse...

pronto to bem agora

meu amigo q resenha
por acaso e sei qm e esse tal funcionario de uma rede de farmacias conhecida?
hauahuahuahuahuahuahuahuahuah

eitxa gemulo q resenha!

ohhhhhhhhhhh...
te amooooooooooooooooooooo viu?
um bjaozao!

ilka disse...

Sensível e pensando demais em famílias assim.

Amo,amo,amo...bjos