07 janeiro 2006

Sincronicidades

Eu escrevi por quase meia hora nesse local em branco, nessa tela quase inexpressiva... e em poucos segundos eu perdi todo um conjunto de palavras cheias de sinceridade e sentimentos exteriorizados de maneira única. Cada palavra eu não lembraria, fica guardada em minha lembrança, nem mesmo a frase da foto que eu havia colocado me lembro exatamente como era. Seja o que for que eu venha a escrever sobre o que já havia dito, não soará tão verdadeiro como foi há minutos atrás.

Tentar?! Tenho vontade, não queria minhas palavras perdidas... odeio a uol por expirar páginas depois de um tempo. Odeio o 'Enter' ao alcance dos meus dedos quando não o quero. Odeio "I'm Alright" dos Stereophonics por não me deixar ficar com raiva depois desse acontecido. Odeio nada... mas, as vezes, queria odiar tudo.

A verdade é que meu dia de hoje foi cheio de cincrônincidades. Começarei com a foto...


Fonte: Limão Matutino (irônia? talvez...)

As vezes fico imaginando (eu falo/escrevo muito 'as vezes') que tipo de perseguição eu sofro ou que tipo de perseguição eu faço. (risos)A verdade é uma só (contraditório isso, num mundo de máximas eu afirmo que existe uma só, a minha pra mim, a sua pra você, e por ai vai.), eu estava procurando uma foto do filme francês "La Pianiste"(A Professora de Piano), e, por incrível que pareça, a primeira foto que me chama atenção é esta, primeiramente por ser P&B, e depois pela foto em si, pela cena e tudo mais. Quando clico e vejo qual o site de origem da foto, descubro que é de um blog cinematográfico de uma certa figurinha constante no meu dia-a-dia... levemente irônico isso me chegou aos ouvidos. Procurei outras fotos, mas como não queria a(s) mais usual(is) acabei escolhendo essa mesmo, pura conicidência... será?! Ao menos da minha parte, sim.

Hoje eu acordei com uma vontade, na verdade eu não sei bem se eu acordei ou fui dormir com a tal vontade, mas o que importa é que apenas a realizei/matei ao acordar. Peguei o telefone e liguei... dizer o quê?! Nada exatamente, apenas para ouvir a voz, para dizer que sinto falta... enfim, coisas que você sente vontade e simplesmente faz(ou não). A ligação foi extremamente rápida, não se podia falar muito no momento, mas me dei por satisfeito, afinal se o objetivo era 'ouvir a voz', esse havia sido cumprido. O dia(ou a tarde, como queira) passou rapidamente e sem grande acontecimentos. Logo chegou a hora em que fui para o ensaio da "Casa das Bonecas...", o que me ocupou durante as 18 horas até umas 21:30 mais ou menos. Chegando em casa, larguei-me instintivamente no sofá da sala com um depósito cheio de uvas verdes, de fronte a televisão, assistindo a um programa qualquer. Pouco tempo depois, meu celular toca timidamente escondido nas almofadas, quando presto um pouco mais de atenção ao seu chamado vejo que o toque exclusivo denuncia a pessoa do outro lado da linha. Ignoro a chamada e retorno a ligação, é ele. Pergunta-me o que eu iria falar ao ligar mais cedo e respondo que não era nada demais, apenas saudades. Ele sorri. Eu sorrio. Brincamos um pouco. Passamos certo tempo no telefone, o que não acontece com muita frequência já que ambos não curtem muito telefone. Durante esse tempo falamos sobre tudo o que importava falar no momento, falei coisas que me deram vontade de falar, tentei falar tantas outras. Consegui bastante coisa, algumas outras eu tentei, mas que determinadas palavras e expressões que eu desejo dizer ainda não consigo, são dolorosas de sairem, travam em algum lugar de mim, mas com o tempo e a ajuda dele eu consigo. Depois de falarmos sério e tecermos teorias sobre um possível câncer causado atravéz do contado do celular(da radiação para ser mais especifico) com um piercing no tragus, decidimos que era hora de desligar. Engraçado, agora estou impossibilitado de fazer qualquer tipo de ligação, pois não pensei que 31 minutos de ligaçao gratuita que tenho direito a fazer, por mês, para o celular dele, fosse tão pouco. (risos) Fora que acabou e ainda levou o resto dos meus créditos, e só me dei conta quando a ligação caiu logo após o "outro".

Posteriormente a isso, eu pensei em vir ao computador, mas decidi assistir "A Professora de Piano", já adio essa vistia ao cinema francês de Michael Haneke há certo tempo, e resolvi que dessa noite não passava. Quando o filme começou eu fiquei maravilhado pois amo piano e a trilha desse filme é belíssima, misturando partituras gritantes e sussurantes no piano, com violinos agitados e cellos docemente espancados. Depois do frenesi inicial o 'maravilhado' transformou-se em assustado. O modo como o filme é conduzido me prendeu de uma forma que não ousava mover-me mesmo com o braço dormente. A dor e o prazer de uma voyeur e a agrassividade passiva de uma masoquista me fez querer Isabelle Huppert como souvenir em meu criado mudo. O filme não me deu orgasmos, não me levou minha mão ao "prazer incompleto da masturbação", mas me proporcionou um final de noite 'ilógico', assim como o final do filme.

Após o filme, entro para escrever sobre mim e para mim aqui nesse 'papel borrado', e a primeira coisa que faço é procurar a foto... que achei no blog de alguém que me telefonou e esteve nos meus pensamentos durante, praticamente, todo o dia.

Irônico?! Talvez, mas me faz ir pra cama com um sorriso no rosto.

PS: E não é que o texto ficou praticamente igual?! Retiro, parcialmente, o que me disse no inicio do texto.

2 comentários:

Larissa Lima disse...

Márcio.. 2006 tá chegando. E eu passei aqui pra te desejar q ele se apresente repleto de realizações, de alegrias, saúde e paz. Sucesso. Bjos.

Vinícius disse...

ão é assustadoramente intrigante essa teia de possibilidades que a vida nos proporciona? Não é impressionante a maneira como quando menos esperamos, um pequeno acontecimento, um pequeno gesto, nos faz sentir mais vivos, nos faz sentir o ar invadindo nossos pulmões??? A vida é sim uma teia de possibilidades. Cabe a nós seguirmos nossas trilhas, e recebermos de braços abertos as pequenas (ou grandes) intervenções que o destino nos reserva. Então, que 2006 seja um ano cheio de pequenos momentos, pequenas conexões, que te façam sentir aquela felicidade genuína, que nada além da própria vida em si pode nos proporcionar. E que você nunca mais perca um post inteiro por culpa de um detalhe técnico, pq isso já aconteceu comigo também, e eu sei o quão odiável é... Abraços, muito obrigado pelas visitas, e mto obrigado por se importar... rs