10 julho 2006

Solidão com vista pr'o mar.

"Às vezes eu quero chorar mas o dia nasce e eu esqueço..."

... ou as vezes lembro mas já é tarde e meu choro não faz mais efeito algum sobre nada, apenas molha meu rosto e diminui meus olhos.
Às vezes só quero dançar, mas meus dedos estão ocupados demais pensando sobre o papel. Minhas pernas não se movem, não removem, sequer contorcem. Estão inertes como meus lábios...

Lábios... qual o gosto que não pude sentir? Qual o rosto que não consigo tocar? Qual nome não devo pronunciar? Qual desejo preciso contêr, vencer? Como queria me render... ser vencido, não precisar lutar mais, não ter que ir contra e sim de encontro com o(s)...

Lábios... Sinônimo de ansiedade, de vontade, princípio das ambiguidades, sintoma: saudade.

Queria ter braços no braços da cadeira; abraços, um beijo, cama e mesa... queria uma lareira, uma clareira, queria um pouco de areia nos pés, água, que não fosse minha, nos olhos, calor em meus ombros, amores calados, sabor em meus...

Lábios... anseios relápsos, coreografias complexas, "melhor e pior", uma na outra, balé dos sentidos... devagar, sem pressa, com calma, com alma... descalço... desvirtuado... complexo... num gesto, simples.

Cadê meu chão?
Cadê meu não?

Estou sentado, parado, dedilho botões num gesto rápido, enfático... estou sentado.
Espero?
Não posso... estou apenas sentado.


* Citações de "Não sei dançar" de Marina Lima.

Um comentário:

Vinícius disse...

touché