18 setembro 2006

Pedras ao Mar

O tempo escuro cede aos raios criados pela junção das lâminas afiadas dos machados de meu Pai...
É a chuva que chega de céu limpo, chuva fina de minha vó purificando o corpo que pisa firme e mantém- se forte diante das cores de São Bartolomeu.

Segue o destino olhando pr'os lados e encarando de frente; move pedreiras com as mãos se maldizem sua Mãe bendita e sua fé na Marujada Fagueira.

Das águas profundas nasce o sentimento que guia meu sorriso e escondem-se as lágrimas que não devem chegar. Guardadas a fundo, emergem sozinhas quando o profano se diz humando e o desumano tenta ser poético.
No seio de Iemanjá guardo o que sinto e o sinto por meu Pai.
Nos olhos de Xangô estou despido...
Em suas mãos, minha vida, meu vestido de codnome destino.
Um espelho é o que sou!

Em minhas ações que sejam feitas as Suas vontades;
Em meus pecados, sua justiça;
Para minhas fraquezas, sua compreensão e o colo de minha Mãe;
Que em minhas decisões esteja o seu vigor;
No meu discurso, sua força, sua prudência;
No meu caminho, sua glória!

Que o menino que começa a caminhar possua nas mãos os machados que ofuscam o medo. Que ele possa adentrar a mata protegida por São Sebastião e atravessar o rio de sua mãe, chegando em seu destino com riquezas, presentes de Senhora Oxum.

Que o sorriso de cada dia acordado seja de agradecimento e, cada lágrima, de passageiros momentos.

Que não me faltem cores para sorrir.
Que não me faltem formas para ajudar.
Que não me faltem palavras para agradecer.
Que não me faltem ouvidos para aprender.
Que não me falte boca para silenciar.
Que não me falte fé para combater.
Que não me faltem amores para respirar.

Em meu ori o sustento de Vossas mão.

[11/set./06]

"Eu vim de bem longe, eu vim, nem sei mais de onde é que eu vim
Sou filho de rei muito lutei pra ser o que eu sou
Eu sou negro de cor mas tudo é só amor em mim
Tudo é só amor, para mim

Xangô Agodô

Hoje é tempo de amor
Hoje é tempo de dor, em mim

Xangô Agodô
Salve , Xangô, meu Rei Senhor

Salve meu Orixá

Tem sete cores sua cor
sete dias para a gente amar
Salve Xangô, meu Rei Senhor
Salve meu Orixá

Tem sete cores sua cor
sete dias para a gente amar
Mas amar é sofrer
Mas amar é morrer de dor

Xangô, meu Senhor, saravá!
Me faça sofrer
Ah me faça morrer
Mas me faça morrer de amar
Xangô, meu Senhor, saravá!

Xangô acordou!"

[Cantom de Xangô - Vinicius de Moraes]

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