23 janeiro 2007

# Terça - feira (1 ano)

Faz um ano... doze meses de palavras soltas que tentam se encaixar em filmes mudos e textos calados, em páginas que gritam em branco, em html's e fontes trebuchet.
Foram pianos intocados que decidiram tocar apenas de ouvido, sem teclas agudas ou graves... mas foi fingido a dor de letras embaralhadas e abundantes que segui minha cabeça confusa e meu corpo trêmulo para chegar aqui... nas frases reticentes que completam o caminho que interrompo a cada olhar rebaixado... fico nos colchetes! Finjo e me reinvento a cada comentário que não está lá, agradeço e sorrio aos dizeres desconhecidos, aos apelos dos novos... de novo. Soa-me familiar as pregas vocais do teclado deste LG cansado.
Abençoado pelos poetas e suas frases emprestadas aos meus dedos, às músicas que descrevem um dia-a-dia, rotina de buteco, boleros dedilhados em prosa, versos que berram os segredos de meus dias para quem quiser ouvir... mas ainda escondo os mais sórdidos nas entrelinhas de um sorriso malicioso.
... você não gostaria de ouvir o que não é dirigido a seu ego inflado ou a sua falta de estima...
Coleciono dicionários, revistas que nunca folheei e jornais do mês passado... eles me dirão muito do que não vivi futuramente, e só assim poderei ver o que perdi para aprender a dar valor ao que ganhei.

... Há um ano...
Um aniversário inesperado, um brinde ao copo trincado pela mudança repetina, pela virada de página, pelo capítulo encerrado, pelo início da jornada... pelos próximos versos, versículos de um livro sagrado que comecei a escrever quando nem sabia o significado de um nome, de meu nome, de teu rosto, desse corpo que desobedece os olhos confusos, desse corpo cheio de gráficos e outras linguagens que não entendo sequer acentos.

Um fingidor... um piano intocado de canto de sala... apenas mais uma expressão... um epitáfio gelado... uma melódica sinfonia... um se... um talvez... alguns ícones deixado na barra de um leitor estúpido.

Tudo isso me forma, tudo foi um início, tudo teve um meio... e ainda estou na metade do caminho escolhido por algo que não sou eu, mas que também não deixa de ser.

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Aos amigos, Fernando Pessoa:
"Reconhecer a realidade como uma forma de ilusão,
e a ilusão como uma forma de realidade,
é igualmente necessário e igualmente inútil."
[ Livro do Desassossego ]

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Vini: um verdadeiro Vivente, vive mostrando-se ao mundo como ele realmente é, sem importar qual será a reação da platéia.
À você uma música... "Eu não paro - Ana Carolina"

Renan: À você um colchete de significados que cabe apenas a nós dois. ;)

Ilka: "aquele abraço..."

La Pasta: À você todos os meus "mínimos óbvios" e meus momentos de delicada acidez.

-> ... todos os olhares e sorrisos que guardo sem saber...

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Que todos possam ter um pouco do Pessoa na pessoa para que a cada dia os questionamentos mais sórdidos venham em forma de poesia.

4 comentários:

RodrigoBrower disse...

Nossa q texto lindo, triste, mas mesmo assim lindo. Ótimo fim de semana pra ti. Bjs

La Pasta disse...

Moço, feliz um ano que eu sei que é muito para quem escreve e se perde e se encontra.

Casa nova em breve. Ainda naquela fase de retoques, pintura nova, um layout de acordo e em sintonia. Textos na feitura, ainda no forno, alguns sendo desenvolvidos simultaneamente.

Me sinto de férias, de verdade. Mesmo sem estar.

Meus mínimos óbvios são também os seus.

Fique bem e mais uma vez. feliz um ano!

Ilka disse...

Olhando assim, um no parece ser mais que aqueles quase cinco, a saudade parece tomar um pouco mais de espaço só pq n tenho o caloroso abraço (meu-seu) pra dar e te sentir mais perto (mas q eu me faça presente). Um ano longo... de realizações, "confusões" (tantas outras coisas) e páro pra perceber q vc n está aqui pertinho mas a ligação é tão grande q a gente se sente, se entende mesmo por tão pouco (e sempre foi).

"Reconhecer a realidade como uma forma de ilusão,
e a ilusão como uma forma de realidade,
é igualmente necessário e igualmente inútil." que seja, a gente precisa de coisas necessárias e inúteis pra dar e receber o valos do q nos guarda.

Amo-te imensamete.

irun disse...

Parabéns pelo 1 ano...Palavras de dor... amor...paixão.... em primeiro lugar pelo "escrever"... deixar sua marca... e vc deixa profundamente.
As vezes fico confuso em tentar entender ou te reconhecer ali. Leio...penso...sinto e as palavras mostram muito mais...
O que escreve é forte, doce e valoroso... como voce.

um beijo carinhoso