16 março 2009

Na lente

"Se eu tivesse uma foto sua, seria algo para me lembrar.
Eu não gastaria minha vida apenas desejando."

Tenho medo.
Descobri agora há pouco. Um fotografia. Foi culpa de uma fotografia. E eu nem estava lá...
... E meu medo foi esse: o de nunca estar lá.
E tentei pensar que era apenas uma fotografia. Mas não funcionou... assim como não funcionam os edredons para quem tem medo de trovão.
Vi tantas fotos, tanta imagem registrada de um par que na verdade são três, cinco, sete... e no meio desse par existem sempre outros ímpares à somar o que o dois já ilustraria tão bem.
Tive medo de passar no tempo e nossa história não acontecer, de ficarmos para sempre na sombra.
- Bobagem! - pensei. - Nossa memória é o melhor dos álbuns que alguém poderia colecionar.
Não tenho dúvidas... as fotografias registram momentos, pequenos instantes de descontração diante de uma lente que podem transmitir sensações, mas que não consegue guardar a essência de quem viveu a paisagem.
Mas ainda assim eu tive medo. Eu fiquei triste ao folhear todas aquelas fotos e nos encontrar separados nelas. Haviam muitas suas, outras tantas minhas, e umas duas ou três nossas, tiradas por mero acidente.
E quanto tempo faz isso? Há quanto tempo existe o nós?
É... há quanto tempo existem os nós?
Não importa... sei que no dia em que desatarmos esses laços que, em antítese, nos separa, acharemos uma foto nossa no meio dos nós. Só nós.
"Eu, você, nós dois
Sozinhos neste bar à meia-luz
E uma grande lua saiu do mar
Parece que este bar
Já vai fechar
E há sempre uma canção para contar
Aquela velha história de um desejo
Que todas as canções têm pra contar
E veio aquele beijo..."
[ Fotografia de Tom Jobim ]

Um comentário:

Tônio disse...

Falando em foto. Só pra constar: adorei te ver abraçando, beijando e sorrindo nas fotos das férias.