23 agosto 2011

Sem Título

 
Saiu tão depressa que tudo o que restou foi um rastro vagabundo de batom vermelho... ou o vermelho vagabundo do rastro de um batom, pouco importa.
Foi tão depressa.
Meu lugar continuava reservado, mas uma outra qualquer esquentava o meu lugar não te deixando sentir saudades minhas.
Deveria me sentir agradecida?
Talvez você não saiba, mas eu sou mesquinha.
Não importa o seu bem estar, suas vontades são as minhas, não era assim que tinha que ser?
Eu não te dava brecha alguma e, mesmo assim, da mínima fenda aberta numa discussão medíocre, você conseguiu cavar todo esse abismo.
Não sei se te elogio inteligente ou aponto sua irracionalidade.
...

Ele vai voltar.
Mas quem saiu fui eu... ou será que não?
Na verdade eu o mandei embora e sai... isso, acho que foi assim que aconteceu... ou quase assim. Ou talvez não, talvez seja o oposto.
Talvez eu até mesmo nem tenha saído, e ele ainda esteja na sala me esperando para resolvermos toda essa confusão. Para resolvermos qualquer coisa. Para bebermos aquele vinho de 'mulherzinha' que, de tão doce, bebemos como suco até os risos mais tolos no final da noite denunciar que seu efeito sobre a gente chegou sorrateiro.
Aí nos deitaremos, diremos coisas bonitas que não ousamos dizer sóbrios, talvez eu deixe escapar minha carência nunca revelada nas entrelinhas... talvez você se assuste e não demonstre... talvez você nem perceba...
Faremos sexo disfarçado de amor e só teremos consciência disso na próxima briga, quando tudo estiver um pouco mais desgastado.
...

Eu lembro de quando tinha os meus dezoito anos e não era metade do que sou hoje... e tenho apenas vinte e quatro. Acho que você me queria mais frágil, menos decidida e mais dependente de você, mais manipulável quem sabe.
Você me amou quando eu tinha dezoito e eu ainda estava aprendendo a andar por esses caminhos, mas fui madura. Dramática, ciumenta, carente, mas também madura.
E quando eu finalmente aprendi a me entregar, você desaprendeu.
...

Hoje eu quero comprar flores. Como em Mrs. Dalloway, sair de manhã para comprar flores e cumprir esse objetivo, sem desvios sequer no pensamento. Eu mereço flores, todo mundo merece flores.
E vou oferecê-las a você. Será como uma despedida sem sepultamento, apenas a intenção.
Considere-se desterrado daqui, meu doce Romeo.
Minha cena começou e nela não há holofotes para você.

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